O que muda quando se muda. Um grande desabafo. - O mundo da Tutty

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O que muda quando se muda. Um grande desabafo.


Não sou boa com sentimentos, eles são irritantes. Não sei o que sinto ultimamente. Tem tanta coisa errada em minha vida, que pra começar eu nem sei se deveria estar escrevendo esse blog, ou ter nascido. A única certeza que tenho é que o blog tem dado certo e essa foi a melhor coisa desde então.
Minha vida começou errada no nascimento, inevitavelmente não era para eu ter nascido e sim um outro bebê. Mais olha eu lá saindo da barriga da minha mãe. Outro erro foi que eu tenho um irmão mais velho, e por isso ele teve todas as primeiras coisas e escolhas, e eu era apaixonada por ele, meu irmão era tipo  " O melhor irmão" assim como ele era " O melhor filho". Meu irmão sempre foi tratado como o princesinho e isso me irritava, porque eu nunca era tratada da mesma forma, eis o problema: por amar meu irmão eu nunca o culpei pelo tratamento que ele recebia, e ele sempre soube disso, eu brigava muito com meus pais por isso, mais nem uma vez eu o coloquei na briga e disse que ele tinha alguma culpa em cartório. Então toda minha vida ele foi o princesinho amado por todos e eu a encrenqueira. Fiz muitas coisas, muitas, erradas na minha vida, com um único objetivo queria que por uma vez eu estivesse a atenção dos meus pais. Toda a atenção que eu tinha era apenas para as coisas ruins que eu fazia, e por isso passei minha vida focando na parte errada dela, tentando acertar, mais ainda assim era a parte errada, já que quando eu acertava ninguém enxergava.
Fui burra por ter errado tanto, por não ter focado no que eu queria a vida toda, sendo sombra de alguma coisa que eu não queria. Cometi muitos erros, e não vou citá-los, mais quer saber? Até meus erros foram aprendizados para hoje, talvez se eu não tivesse dado uma de louca quando mais nova, estaria dando agora! Não é pior?
Pode piorar? Lógico! Eu amava meu irmão, e cada vez que ele se mandava para uma cidade diferente por algum vestibular que ele passou (que foi muitos), eu tinha a impressão de que nunca mais o veria, chorava por noites (esqueci de dizer que sempre fui sentimental, alguém percebeu?). Tive momentos ótimos com ele, eramos muito unidos, mesmo ele sendo o centro de todos os meus problemas e eu apenas assumir isso hoje. Voltando... meu irmão passou em Medicina em algum desses vestibulares, orgulho dos pais, por isso meus pais me encheram depois disso que eu também deveria fazer medicina, porque meu irmão fez e estava se dando bem e eu deveria fazer. A diferença era que ele amava Medicina, eu sempre amei Publicidade e internet! Desde os 12 tinha blogs, mexia com códigos, gostava de ler e amava escrever. E o que eu fiz?
Quando terminei o ensino médio, fiz cursinho, mas meus pais nunca me perguntaram o que eu queria da vida, tudo era resumido em " Você vai fazer Medicina". E eu fiz, mas não passei, então falei com eles que ou eles pagavam uma particular para eu fazer, ou faria o vestibular que eu quisesse. Achei que iria colar o que eu quisesse, outro erro. Eles queriam! Não podiam pagar por Medicina, então pegaram o FIES e fiz enfermagem. Porque eu não escolhi o que eu realmente queria?
Mais uma vez eu queria, sei lá, acreditar que fazendo o que eles queriam, eu teria um pouco do orgulho deles, estava cansada de tantos erros em minha vida. E eu posso não ser nem mediana em todas as coisas, mais se eu estiver fazendo algo e focar nele, sou melhor que qualquer pessoa. Então achei que me adaptar ao que eles queriam iria ser fácil. No quinto semestre do curso descobrir que apesar de ser muito boa na enfermagem, não era o que eu queria, não gostava daquilo. Mas seria uma decepção dizer que com 80% do curso concluído, eu iria simplesmente desistir. E o que eles investiram ? (Eu passei a vida toda pensando neles, e nunca parei para pensar no que eu queria). Terminei o curso, meio incentivada, porque encarei algumas áreas da enfermagem que talvez eu gostasse de trabalhar como recém-nascidos, UTI e UBS. Chegou a formatura, a tão esperada noite que parece mais um sonho, você se vê formada e a festa perfeita. Tudo meu foi errado, não falava com meu irmão (explicação mais abaixo), minha festa foi uma droga, brigada com meu namorado, e toda aquela animação de quando você sobe ao palco simplesmente não existia.
Vai piorar? ahaha Eu nem comecei a contar a parte ruim.
Voltando ao meu irmão. Depois que ele se formou, eu não sei o que realmente aconteceu, mas ele se tornou um babaca, e me dói dizer isso, eu amava meu irmão. Mais depois que ele ficou "rico", acho que o dinheiro comeu os miolos dele, porque foi eu tentando acertar minha vida, e ele destruindo tudo que ele construiu na vida. Talvez eu divida esse texto em 2 partes. São tantas coisas. Toda essa transformação me afastou dele, e ele se afastou de mim. Mas não foi só a mim que ele afastou, ele afastou a mulher dele, e a família (que agora tem medo dele, acha ele um babaca, mais ninguém diz na cara). Ouvi muita coisa de meu irmão, mais IMPRESTÁVEL, foi o melhor das qualidades que ele me deu. Depois disso as pessoas da minha família me compraram para eu esquecer o assunto, e fingiram que nada aconteceu. Por isso um foi morrendo para o outro. De tudo nessa vida, acreditar que o meu irmão, aquele que nunca eu desmereci nem em pensamento, o que eu era apaixonada, achar aquelas coisas de mim, foi como matá-lo em vida.
Por isso na formatura tive sua presença, mas não seus sentimentos. Isso perdurou por tempos. Voltamos a nos falar posteriormente, mas nada foi como antes, nos restringimos a poucas conversas ou palavras, porém isso não me machucou, já estava muito decepcionada. Essa foi a minha primeira decepção, o tipo de coisa que a gente leva para a vida.
A 2° agora não vem ao caso. Mais foi junto a todos esses problemas, e eu ainda não consegui digerir isso, apesar de fingir bem. Então ainda não consigo explanar isso com alguém. Mas me afetou tão quanto. Como se fosse a mesma coisa.
Talvez a minha lista de decepção tenha aumentado. Alguns meses pós minha formatura descobrimos que meu pai tinha câncer, e eu já falei muito sobre isso aqui. E sei que vou falar muito mais, nunca será o suficiente. Porém depois que meu pai faleceu e tudo que vivemos nesse meio tempo, eu meio que tentei esquecer todos os nossos problemas e recomeçar. Desempregada desde a formatura, sem um real no bolso, com quase 30 anos dependente da mãe, o que mais eu poderia fazer, além de ajudar meu irmão e minha mãe? Ser a filha perfeita. E eu fui. Fazia o que dava para fazer, e me dividia entre arrumar casa, deixar comida pronta, lavar prato e todas as coisas necessárias. Mais uma vez minha mãe foi o centro da atenção para a família e para mim, me desdobrei e engolir minha dor, para que ela não sentisse a dela, e ela fez o mesmo pelo meu irmão. No inicio ela se desdobrou por mim também, mais sabe sobre aquela coisa que a dor só pesa no inicio? Pois é, logo depois tudo era eles dois, e eu era a babá deles. Por mais estranho que fosse, ninguém perguntou como eu me sentia, ninguém prestou atenção na minha luta diária em não entrar em depressão e ser mais um desgosto. Ninguém perguntou se eu queria fazer algo para esquecer o que eu sentia. Que acredito até hoje que ninguém sentiu mais dor e falta que eu, ninguém viva mais tempo com ele que eu. E eu me desdobrei todos os dias por ele e minha depressão. Mais o tempo passou muito rápido para meu irmão que logo esqueceu das nossas dores, minha mãe também esqueceu, para ela, só ela sentia dor.
E foi assim que minha decepção começou, quando voltei a sentir dor invisivelmente. Procurei psicólogos, que não resolveriam meu problema, já que não era eu que precisava mudar, era eles, mas foi bom por um tempo. Acalmou meus sentimentos. Porém uma decepção ainda maior aconteceu a alguns meses atrás, minha mãe começou a deixar claro como eu servira de empregada para ela. Triste saber que sua mãe não te olha mais como filha, mais como alguém que resolve sua vida, deixava coisas como essa bem clara. Eu poderia fazer tudo, se algo ficasse sem fazer, era como se nada tivesse feito. Foi triste acreditar que minha mãe achava isso. Mas pra piorar pior do que saber o que eles acham, e saber que além disso eles tem espalhado isso aos 4 ventos.
Não gosto de estar sem trabalho se é o que pensam. Odeio. Tenho procurado todo o tempo por emprego, até fora de minha área, mais aqui está muito difícil. Então eu resolvi mudar, resolvi deixar de ser empregada e babá. Decidir deixar que eles falem agora também, já que não faço mais nada, agora eles podem falar a vontade. Porque eu sei bem que na verdade não fazia nada, e não era eu. Decidir ligar o foda-se para a família. Decidir cuidar de mim, eu estava entrando em um poço sem fundo mentalmente, por causa de coisas desnecessárias. Depressão não é brincadeira, e eu estou lutando contra isso, agradeço ao blog por me tomar tanto tempo e pensar menos nisso. Decidir dá um tempo de me importar tanto com pessoas que não se importam. Decidir assistir até onde eles vão sem mim, porque eu sei que não vão muito longe. Porém agora eu vou criar asas, e se Deus quiser na primeira oportunidade vou voar para bem longe. Porque meu futuro nunca foi aqui. Só preciso descobrir onde é. Decepção ás vezes é bom, em vez de te aprisionar, te liberta.