Ter um cachorro deveria ser pra vida toda - O mundo da Tutty

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Ter um cachorro deveria ser pra vida toda


Oi gurias! Hoje vim compartilhar uma parte de minha vida que não costumo falar, mas que é umas das coisas mais lindas que decidir ter.
Apesar de apenas mostrar ela no instagram algumas vezes, essa bolinha de pelo felpuda que eu chamo de Bela, é minha companheira de toda a vida e a nossa história não começou fácil não.
Bela nasceu em 2005 teve mais seis irmãozinhos que não tiveram a mesma sorte e saúde que ela teve. Tanto os pais quanto os outros filhotes morreram um pouco depois que nasceram, mas isso eu só soube meses depois quando procurei saber o destino dos outros filhotes e dos pais. Bela foi a única sobrevivente e que desde a primeira vez fez meu coração bater, que nem quando a gente acha que bate ao encontrar o amor de nossas vidas, mal sabia que ela seria exatamente isso, o amor da minha vida.


Eu, meus pais e meu irmão nunca gostamos de bicho, nunca tivemos nem passarinho, mas ai quando eu e meu irmão encontramos ela em um loja para ser ADOTADA, já que o dono não queria e estava DANDO, acabamos escolhendo um deles para levarmos para um teste. Instantaneamente eu já amava Bela. Levamos para casa e meus pais odiaram a ideia de ter cachorro, minha mãe tinha pavor. Passamos dias, levando para casa pela manhã e devolvendo a loja a noite, foi uma luta. Um dia então resolvemos não pegar, já que toda noite tinha discussão sobre ter o cachorro. Nesse dia, meus pais perguntaram porque não pegamos a cachorra na loja, e definitivamente sabíamos que ela agora tinha um lar, nosso lar. Foi o último dia fora de casa.
Quem disse que cachorro não traz felicidade, nunca conviveu com um. Nunca vai saber o que é amor de verdade, companheirismo e fidelidade. De todas as decisões para se tomar na vida, uma tem que ser ter um cachorro. Vai por mim, não existe nada melhor.


Minha cachorra é uma mistura de raças, Yorkshire com poodle, tudo que existe de mais gracioso na terra foi dado a essa cachorra, peculiaridades que só me fizeram rir até hoje.
Não gosta de altura, colo, nem banho. É desconfiada. Ama conforto, cama e comida. Ronca mais que minha avó, tem pesadelos como gente grande e se assusta com os próprios puns. Tem coisa mais fofa?
Só fez xixi e coco errado uma vez, quando chegou em casa, comeu algumas sandálias e pés de sofá quando o dente nasceu (mega justificado e na época achei lindo quando ela fazia). Saímos um dia e deixamos ela só no quintal e ela ficou presa dentro de uma bacia embaixo do sol, quando chegamos ela tava toda suada e desidratada, achei que ela fosse morrer porque era bem nova, mais ela resistiu, depois de todos os cuidados, acho que ela não tinha dois anos.
Depois disso (aos 8 anos )nosso outro trabalho foi quando ela foi atacada pelo pitbull do vizinho, não sei de onde tirei tanta força pra gritar e bater no cachorro pra ele soltar a minha cachorra. Ela saiu assustada, levamos pro médico mais nada grave.


Aos 11 ela teve a bendita doença do carrapato, ficou internada e eu fiquei sem dormir, me senti uma mãe levando o filho meia noite pro hospital, chorei como ninguém, e ali entendi o verdadeiro significado de ser mãe e de amor. Ela sempre foi uma cachorra forte, saiu de todas sem maiores intervenções, três problemas a vida toda, comparado a felicidade diária que ela trazia, não era nada.
Ela ama se esfregar em nossos pés pedindo carinho, só dorme comigo ou com minha mãe, segue nos duas até se formos ao banheiro, só levanta da cama quando o dono levanta, seja cinco da manhã ou meio dia. Chegar em casa e ser recebida a pulos e lambidas me faz esquecer de todos os problemas que eu tive durante o dia, me faz lembrar que realmente tenho alguém que me ama, que pensa em mim e que fica me esperando o dia todo. Se eu viajar e passar alguns dias fora, ela simplesmente não come, e dorme o dia todo, e como se uma metade dela tivesse partido. São tantas pequenas coisas que essa cachorra fez, os pequenos detalhes, que nos fizeram rir, trouxeram boas lembranças e uma certeza de que fomos amados.


Comer papel higiênico, sapatos, fugir pra se sujar no quintal, se tremer e se esconder são pequenas atitudes que podem ser feias, mas quando paramos para analisar, são as graças do dia.
E eu quis lembrar dessas coisas, porque a algum tempo, essa princesa que me fez feliz, tem estado doente, e não quero chamar atenção pedindo ajuda, mas pedindo que vocês deem mais atenção a eles. Eles tem sentimentos. Eles amam e precisam ser amado.
Minha cachorra depois de uma infecção, está com cardiopatia, o que interfere na cirurgia que ela fará amanhã pela manhã, para tratar a infecção. Ela corre risco de vida, pode não voltar a vida depois da anestesia, mas se eu também não fizer ela pode morrer depois. Então com o coração na mão decido fazer essa cirurgia nela. O médico me deixou atenta a esse fato. E me fez parar agora e relembrar quanto minha vida foi boa com ela.


Depois dessa cirurgia ela vai encarar uma outra bem maior, minha cachorra tem câncer mamário, precisa de cirurgia para retirada dos tumores, e mais uma vez ela tem que ser forte, forte porque eu ainda não sei como vou viver sem ela me acordando querendo fazer xixi, sem ela pra comer comigo, dormir comigo, viver comigo.
Ela tem que ser forte porque hoje ela tem 12 anos, mais ainda não é sua hora, ainda falta, ainda preciso de mais tempo com ela, todo abraço, carinho, brincadeira, banho, não foi o suficiente. Eu ainda não dei todo o amor que eu tinha, ainda tem mais aqui. Para quem nunca teve um cachorro, jamais vai entender o significado de abrir mão do trabalho para ficar com ela depois da cirurgia.
E um amor sem tamanho, sem caráter, é um amor de verdade que eu não sei mais viver sem. Então hoje só peco que ela seja forte, para ficarmos mais um pouco juntas, por nos duas. Só peço uma oração pra ficar tudo bem.