Um dia como outro qualquer, mas é meu aniversário. - O mundo da Tutty

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Um dia como outro qualquer, mas é meu aniversário.



Amanhã é meu aniversário, poderia estar radiante com isso, mas hoje percebo que é apenas um aniversário. Um dia como outro qualquer, porém o dia que eu nasci, e não tenho mais vontade de comemorar.
Eu sei que ás pessoas jamais me entenderam, nem espero que ninguém faca isso, mas é o que sinto. Quando tudo na sua vida anda de cabeça pra baixo, a última coisa que você deseja é um aniversário. É um monte de gente fingindo que tá tudo bem, tudo certo, só para que aquele dia especial não seja estragado. Como se sofrêssemos de amnésia aniversarial (oi!?kkk). Hoje são proibidos problemas, só amanhã.
Mas de fato, na real, existe algumas datas que perderam o sentido na minha vida desde o falecimento de meu pai.


O natal foi um deles, talvez o primeiro. Guardo na lembrança nosso último natal, e parece que sabíamos a todo momento que seria nosso último natal. Passamos meses atrás de uma árvore de natal para comprar, mas as dos nossos sonhos não cabia nos nossos bolsos, então prometemos que juntaríamos dinheiro para comprar a árvore mais linda no próximo natal. E foi daqui que aprendi a não guardar as coisas para amanhã. Não sei porque mas eu sentia que não podíamos passar o natal sem uma árvore, precisávamos dela, era nosso simbolo de que o natal havia chegado a nossa casa. Então procurei na internet formas de ter uma árvore de natal em casa, sem uma árvore. Encontrei vários DIY, mas a árvore de algodão me conquistou. Fui na rua, comprei pacotes de algodão, juntei todas as coisas que tínhamos de natal, pois teríamos uma árvore. Meu pai sempre topava tudo que eu inventava, e quando falei com ele, prontamente ele me surgiu com uma bacia e ferros onde fez o suporte da árvore, compramos papel metro, forramos todo com o algodão e forramos o ferro como se fosse uma árvore, pareceu fácil? Mas perdemos a tarde inteira no projeto #natal2014. Meu algodão não deu, ele foi comprar mais. Foi a árvore mais barata e linda que tivemos. Ele ficou tão orgulhoso do nosso trabalho, que não via a hora de buscar minha mãe no trabalho pra ver, estava cheia de piscas, e chucalhos de natal, com a delicadeza do algodão. Me senti orgulhosa por ter conseguido. Mas dai veio o destino e levou meu pai meses depois, e não tivemos tempo de comprar nossa árvore, e isso sempre passa em minha memória. Todo ano no natal, eu tento comprar nossa árvore, não que o natal tenha mais significado, mas porque eu prometi a ele que teríamos, e eu não esqueci, eu sei que de lá de cima, ele vai estar olhando com um orgulho infinito, porque montar a árvore, vai deixar de ser pra mim a ideia de que chegou o natal, e agora vai ser a memória de nossos últimos momentos juntos montando uma árvore.
Pelos mesmos motivos todos os aniversários perderam a importância, não ter ele ao meu lado para festejar, já não tem a mesma graça de antes, ver as pessoas comemorando com seus pais e eu não ter o meu, e pegar meu coração e partir em um zilhão de pedaços.
Ano novo? Sempre passei longe da minha família, era a data de viajar, mas todo ano na virada, eu ligava para eles, com o coração em pedaços por estar longe na virada do ano, chorava de não conseguir falar. Apenas queria estar perto deles, e agora chega o Ano novo e percebo que não tenho ele ao meu lado para abraçar e poder dizer que mais um ano começa para batalharmos juntos.
Toda a minha vida mudou, virou de cabeça para baixo, acho que ninguém nesse mundo vai entender o que fomos um dia, ninguém vai entender o vazio e dor da minha perda, onde tudo perde o sentido, ninguém vai entender como eu quis impressioná-lo com minhas conquistas e como infinitamente ele me amou.
A poucos dias fui aprovada em concurso do estado e ninguém entendeu porque eu não aparentava estar feliz, mas porque naquele exato momento queria apenas ter ele ali para contar. São tantas coisas...
Agora tenho mais uma perda, a minha cachorra, com 12 anos, entrou no mesmo ciclo sem fim, foi diagnosticada com câncer mamário. Cachorros deveriam ser imortais ou ao menos morrer junto com o dono, agora me dói não saber como lidar com isso pela segunda vez. Estou lutando junto com ela, mas não quero que ela sofra pra morrer, e incurável e só tem um fim, então quando estiver perto disso, serei cruel pensar em encurtar sua dor? Me sinto desestruturada em saber que vou perder minha única companheira diária, que eu amei e cuidei com todo amor.
Eu apenas queria que esse dia pulasse, não me sinto bem, talvez eu não esteja, nem fisicamente nem psicologicamente. Estou triste, por esse e por outros motivos que aconteceram no percalço do meu caminho, me vejo repetindo cenas, momentos, e cometendo os mesmo erros antes já feitos, uma forma errada de querer acreditar, mesmo que não, que as coisas podem dar certo. E hoje eu nem sei dizer se na verdade continuo no erro ou na negação, estou apenas indo a favor da mare, talvez um dia eu chegue na praia e queira sair desse mar agitado que é a minha vida.

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