Kazuo Ishiguro ganha o nobel de literatura 2017 - O mundo da Tutty

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Kazuo Ishiguro ganha o nobel de literatura 2017


A Academia Sueca anunciou dia 5 de outubro, que Kazuo Ishiguro, leva o prêmio de vencedor do prêmio Nobel de Literatura 2017.
Levou porque " em seus romances de grande força emocional, revelou o abismo sob nossa sensação ilusória de conexão com o mundo ".
Ishiguro nasceu em Nagasaki, no Japão, em 1951, aos cinco anos foi para a Inglaterra. Autor de oito livros, cinco deles publicados no Brasil pela nossa parceira Companhia das letras. Considerado um dos principais autores da língua Inglesa, seus livros foram traduzidos em 50 idiomas.


1- Os vestígios do dia (Vencedor do Booker Prize de 1989)
Neste livro do ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2017, o mordomo Stevens, já próximo da velhice, rememora as três décadas dedicadas à casa de um distinto nobre britânico, lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Por insistência do novo patrão, Stevens sai de férias em viagem pelo interior da Inglaterra. O mordomo vai ao encontro de miss Kenton, antiga companheira de trabalho, hoje mrs. Benn. No caminho, recorda passagens da vida de lord Darlington e reflete sobre o papel dos mordomos na história britânica. Num estilo contido, o narrador-protagonista acaba por revelar aspectos sombrios da trajetória política do ex-patrão, simpatizante do nazismo, ao mesmo tempo que deixa escapar sentimentos pessoais em relação a miss Kenton, reprimidos durante anos.

2- O gigante enterrado

Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova - será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une?
Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, O gigante enterrado fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.

3- Quando éramos orfãos

Quando éramos órfãos marca a volta de Kazuo Ishiguro à ficção, depois de um silêncio de cinco anos. Com sutileza temperada por um humor fino e certeiro, o autor de Os vestígios do dia escreve sobre o poder do passado de determinar, para o bem ou para o mal, o presente das pessoas. Christopher Banks, um garoto inglês nascido na Xangai do início do século, fica órfão aos nove anos de idade, quando seus pais desaparecem misteriosamente. De volta à Inglaterra, torna-se um detetive de renome e circula nos meios mais refinados. Vinte anos depois, Banks resolve rever Xangai - agora palco da guerra sangrenta entre China e Japão. A partir desse momento, sua busca pelos pais passa a confundir-se com a busca pela ordem num mundo órfão, vitimado pela sombra.Envolvente, a narrativa ganha ritmo de trama policial na voz controlada e minuciosa do protagonista. A aparente frieza do relato, entretanto, não esconde o que Christopher Banks não quer ou não pode ver: que sua memória, sua visão de mundo, não estão imunes às tragédias da infância. No vaivém das reminiscências, o lirismo colide dolorosamente com a matéria dura da realidade.

4- Não me abandone jamais 

Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. 
Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

5- Noturnos

Nesta reunião de cinco narrativas, Kazuo Ishiguro deixa de lado a solenidade distendida dos romances para dedicar-se à concisão, à leveza e ao humor concentrado do gênero curto. Noturnos traz contos sobre instrumentistas e amantes da música, de diversas partes do mundo. 
Tony Gardner, um velho crooner americano, já não desfruta do mesmo prestígio, mas para o jovem músico Jan ele ainda é um ícone. O consagrado cantor o surpreende ao convidá-lo para uma parceria inusitada.
Um professor de inglês que vive na Espanha, amante dos standards americanos, vai a Londres visitar um casal de amigos, e se descobre numa roda-viva de ressentimentos e neuroses. Na mesma cidade, um músico procura emprego em uma banda, mas decide recuperar a inspiração nas colinas britânicas. 
Um saxofonista competente se rende à ideia de fazer uma plástica facial em Beverly Hills para entrar para o primeiro time da música. Um violoncelista húngaro procura se estabelecer na Itália, mas acaba seduzido por uma viajante americana.
Nestas histórias, emoções suscitadas por belas melodias convivem com as limitações do mundo da música. Se o poder de tocar o sentimento faz dos músicos seres próximos da genialidade, as exigências do senso comum e da profissionalização os submetem a situações muitas vezes patéticas e hilariantes.

Dessas cinco publicações, duas foram adaptadas para o cinema, " os vestígios do dia " e " não me abandone não "
O  Fundador e editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz deixou uma mensagem nesse dia incrível:

" Que alegria um ser humano de tamanha generosidade ganhar o tão cobiçado Nobel. A literatura sai duplamente premiada."

" A editora parabeniza Kazuo Ishiguro por esta importante conquista e se sente honrada em publicar sua obra no Brasil. "


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